Para inaugurar a secção Elas, trazemos a Dra.Priscila Lopes de Abreu Santos.
O convite para esta entrevista foi feito no início do ano muito antes desta situação global, entretanto, coincidentemente todo o Projeto GeoSmart só pôde ser contretizado neste mês de Julho e oficialmente hoje, 30-07-2020.
Julho é o mês da mulher negra latino-americana e caribenha, lembrado no dia 25/07/2020.
De acordo com o Portal Geledés (https://www.geledes.org.br), apesar de corresponder a 53% dos brasileiros, a população negra ainda luta para eliminar desigualdades e discriminações. São cerca de 97 milhões de pessoas e, mesmo sendo a maioria, está sub-representada no Legislativo, Executivo, Judiciário, na mídia e em outras esferas. Em se tratando do gênero, o abismo é ainda maior. Apesar da baixa representatividade de Mulheres Negras na política e em cargos de Poder e de decisão, cada ascensão deve ser comemorada como reconhecimento.
De acordo com nossa pesquisa, Priscila foi a primeira mulher negra brasileira, e única até hoje, a obter o Doutoramento em Geologia na Universidade do Minho, Portugal, em 2019.
Portanto, nada mais oportuno do que publicarmos esta entrevista com esta mulher.
Você é graduada em qual(s) área(s) do conhecimento?
R: No ano de 2007 fui aprovada no vestibular da FUVEST para
ingresso no curso de Geociências e Educação Ambiental (LIGEA) no
Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP).
Tendo concluído o curso no ano de 2012 e recebido o título de
“Licenciada em Geociências e Educação Ambiental”.
Na sua graduação, fez parte
de iniciação científica, conta como ficou
sabendo
e por que quis ingressar?
Durante o curso de graduação os primeiros contatos com a
pesquisa científica foram por meio da minha participação em
diferentes projetos de iniciação científica e cultura e extensão
na Universidade.
O conhecimento da existência dos programas de iniciação científica e cultura e extensão foram através do site das Pró-Reitoria de Pesquisa e Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP.
Título: Potencial Geoturístico das Trilhas no Parque Estadual da Ilha Anchieta, Litoral Norte do Estado de São Paulo: Geoconservação e Divulgação Científica.
Integrantes: Maria da Glória Motta Garcia (coordenadora) Priscila Lopes de Abreu Santos (integrante)
2010 – 2011:
Título: Avaliação da Potencialidade dos Afloramentos em trilhas nos Parques Estaduais no Litoral Norte do Estado de São Paulo como Monumentos Geológicos: Aspectos de Preservação e Divulgação Científica.
Integrantes: Maria da Glória Motta Garcia (coordenadora) Priscila Lopes de Abreu Santos (integrante)
Título: Levantamento das Trilhas do Núcleo Curucutu (Parque
Estadual da Serra do Mar) para uso de em aulas de campo do curso
LiGEA - Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental.
Integrantes: Paulo César Boggiani (coordenador)
Priscila Lopes de Abreu Santos (integrante).
2007 – 2009:
Título: Aproveitamento Didático do Acervo de Arqueologia
Amazônica do MAE/USP.
Integrantes: Marisa Coutinho
Afonso - Coordenador / Celia Maria Cristina Demartini – Integrante
e Priscila Lopes de Abreu Santos – Integrante.
Quais competências profissionais
você acredita que desenvolveu na sua
experiência
em estágio ou iniciação científica (se houve)?
R: Principalmente durante os anos iniciais da minha formação
tive a oportunidade de realizar diferentes estágios em museus de
ciências e estágio em docência (durante o mestrado). Estes
estágios contribuíam tanto para o exercício (prática) em
docência, melhorar a comunicação em público, quanto
financeiramente, para a minha permanência na universidade.
Entre 2007 e 2009 trabalhei no Museu a Arqueologia e Etnologia da USP, inicialmente as atividades estavam vinculadas ao programa Bolsa Trabalho da Universidade de São Paulo. O programa destinava-se a alunos de baixa renda para contribuição da manutenção dos estudos e permanência na USP (extinto em 2007/2008).
A partir de 2008 o programa foi substituído pelos programas “Aprender com Cultura e Extensão” e “Ensinar com Pesquisa”. Neste contexto, as atividades foram desenvolvidas no serviço de curadoria do MAE sob coordenação da Profa. Dra. Marisa Coutinho e Dra. Cristina Demartine. Essas atividades consistiam na aplicação de técnicas para conservação e restauração de artefatos líticos da Coleção Tapajônica do museu.
Em 2009 após o término de bolsas de estudo no MAE-USP os estágios
foram realizados em museus de ciências Estação Ciências e
Catavento. Em ambas as atividades desenvolvidas consistiam em
monitorias para grupos de alunos escolares e público em geral. Essas
monitorias realizavam-se nas áreas destinadas às geociências,
particularmente, a geologia.
No ano de 2013 durante o mestrado realizei estágio em docência
vinculado ao Programa de Aperfeiçoamento ao Ensino (PAE) no
Instituto de Geociências da USP sob orientação do Prof. Dr. Daniel
Atencio e vinculado as disciplinas de graduação: Geologia Geral e
Fundamentos de Mineralogia e Petrologia.
2007- 2009: Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-USP)
2009: Museu Catavento Cultural e Educacional (CATAVENTO)
2010: Estação Ciência (USP)
2013: Instituto de Geociências (IGc-USP)
Na sua opinião, essa
experiência (se houve) ajudou na escolha do tema
do
mestrado (ou especialização, se houve)?
R: Em particular a escolha da linha de pesquisa e projeto de mestrado está diretamente relacionada a minha participação em diferentes projetos de pesquisa durante a graduação em Geociências. Em geral, os projetos os quais fiz parte relacionavam-se com a identificação e descrição de potenciais sítios de interesse geológico em Unidades de Conservação no Estado de São Paulo.
Em especial dois desses projetos foram desenvolvidos sob orientação da Dra. Maria da Glória Motta Garcia e a partir de 2011 vinculados ao GeoHereditas. Deste modo, decidi continuar e investir minha formação em uma linha de pesquisa, considerada “nova”, porém, promissora no Brasil.
Em que consiste o
tema e objeto de sua pesquisa de mestrado? Quais
competências
teve de desenvolver para concluir esta etapa?
R: No ano de 2012 ingressei no Mestrado no Programa de Geociências
(Mineralogia e Petrologia), Área de concentração Mineralogia
Experimental e Aplicada, Instituto de Geociências, Universidade de
São Paulo (IGc-USP). O mestrado foi desenvolvido sob orientação da
Profa. Dra. Maria da Glória Motta Garcia, e vinculado a projetos do
Núcleo de Apoio à Pesquisa em Patrimônio Geológico e
Geoconservação (GeoHereditas).
A dissertação de mestrado intitulada “Patrimônio Geológico em Áreas de Proteção Ambiental: Ubatuba – SP” teve como objetivo principal a realização do inventário (identificação, descrição, caracterização, avaliação quantitativa e classificação) do patrimônio geológico no município de Ubatuba. A realização desse inventário contribuiu para a integração do inventário do patrimônio geológico da região do litoral norte do estado de São Paulo. A defesa de mestrado foi realizada em 26 de novembro de 2014, tendo obtido o título de Mestra em Ciências.
Em que consiste o
tema e objeto de sua pesquisa de doutorado?
R: No ano de 2015 fui
contemplada com uma bolsa de estudos para a realização do Doutorado
Pleno no Exterior (Modalidade GDE) pelo Programa Ciências sem
Fronteiras. O doutorado foi realizado sob orientação do Prof. Dr.
José Brilha no Departamento de Ciências da Terra da Escola de
Ciências, Universidade do Minho e, vinculado ao Instituto de
Ciências da Terra Pólo U. Minho, Portugal.
O projeto de pesquisa consistiu na
definição de uma estratégia de geoconservação no Parque Estadual
Turístico do Alto Ribeira (PETAR), com a avaliação do uso
potencial do patrimônio geológico, a fim promover um uso público
sustentável.
A tese de doutoramento intitulada “ Patrimônio Geológico na área do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), Vale do Ribeira, SP Brasil: a capacidade de carga na definição de estratégias de gestão para o uso público de sítios geológicos” foi defendida em 19 de julho de 2019, tendo sido aprovada com nota máxima e menção: Muito Bom.
No ano de 2020 foi obtido o Título
de Doutora em Geodinâmica e Geofísica a partir do processo
de reconhecimento de grau de obtido no exterior Nº
23077.010358/2020-12 pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN).
Que tipo de impactos positivos
essa pesquisa pode gerar para a
realidade
brasileira?
R: O projeto de pesquisa foi desenvolvido em uma importante
Unidade de Conservação no Estado de São Paulo – o Parque
Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). A
direção do PETAR fica assim a dispor
de uma ferramenta de geoconservação que pode aplicar na gestão e
ordenamento do parque.
O inventário realizado na região é também uma contribuição para o banco de dados do inventário nacional do patrimônio geológico brasileiro e para refinar o inventário do estado de São Paulo.
Além disso, a apresentação de uma proposta para avaliação da capacidade de carga específica para a gestão de sítios geológicos poderá contribuir para a gestão sustentável desses sítios.
Atualmente trabalha na área?
Se sim, acha que sua formação académica
ajudou
a conquistar a vaga, se sim, em quais pontos?
R: Atualmente, trabalho como
Técnica Superior em Geoconservação e Planeamento Ambiental, na
GEOAÇORES – Açores, Geoparque Mundial da UNESCO. As atividades
são desenvolvidas no âmbito do Projeto INTERREG - Atlantic
– Geoparks - Promoção e cooperação transicional dos Geoparques
Atlânticos para um desenvolvimento sustentável, têm como principal
objetivo promover e disseminar o patrimônio geológico e cultural
dos Geoparques do Atlântico como base para um desenvolvimento
econômico, cultural, e estratégico para o turismo sustentável.
Neste sentido as atividades consistem em:
Participação e colaboração em atividades de comunicação e promoção no âmbito do Projeto INTERREG Atlantic – Geoparks; https://geotourismroute.eu/
Colaboração na criação e produção de conteúdo técnicos e científicos no âmbito do Geoparque Açores;
Apoio técnico no desenvolvimento da “Rota Europeia Atlântica de Geoturismo;
Apoio aos serviços financeiros e administrativos do Geoparque Açores;
Gestão da imagem, identidade e marca do Geoparque Açores;
Acompanhamento nos trabalhos de Geoconservação no Geoparque Açores
;
Além disso, atuo como colaboradora voluntária na Universidade dos Açores no Projeto TURGEO, que prevê a determinação da capacidade de carga em geossítios do Geoparque Açores.
Todas as atividades de trabalho e investigação científica que
desenvolvo atualmente estão diretamente a minha área de formação
acadêmica.
E agora,
se houve experiência profissional na sua área, quais
competências
acha que aprimorou e desenvolveu?
R: A experiência profissional na minha área de formação e
investigação contribui para o desenvolvimento/aplicação prático
de conhecimentos adquiridos apenas forma “teórica!”. Deste modo,
pode-se avaliar de maneira “crítica!” o trabalho/conhecimento
teórico adquirido/produzido (em diferentes projetos de pesquisas),
ou seja, “será que funciona na prática?” “como se pode
melhor?”...
O que
te motivou a ingressar no doutoramento, que mensagem deixaria
para
quem neste momento deseja ingressar?
R: a principal motivação para o
ingresso no doutorado foi adquirir “competências” na Ciência da
Geoconservação para que se possa atuar na área de investigação
científica (docência e pesquisa).
Outras Informações:
Currículo Lattes / Ciência Vitae / ORCID / Linkedin
Nome: Priscila Lopes de Abreu Santos
Nome em citações bibliográficas: SANTOS, P. L. A.; Santos,
P. L. A.; SANTOS, P.; Santos, P.; SANTOS, PRISCILA LOPES DE ABREU;
Santos, Priscila Lopes de Abreu.
Data e local de nascimento: 16 de junho de 1985; São Paulo – SP, Brasil.
Nacionalidade: Brasileira
Profissão: Geocientista e Educadora Ambiental; Mestra e
Doutora em Ciências, especialidade Geologia.
Atividade profissional atual: Técnica Superior em
Geoconservação e Planeamento Ambiental, Investigadora Colaboradora
no Instituto de Ciências da Terra, Pólo Universidade do Minho,
Portugal; Investigadora Colaboradora (Voluntária) na Faculdade de
Ciências e Tecnologia – Universidade dos Açores, Portugal
(Projeto TURGEO).
Endereço profissional: Rua do Pasteleiro s/n, Edifício ADELIAÇOR – Angústias 9900-069 – Horta, Ilha do Faial – Portugal.
Contato telefônico: +351 910 475 536
E-mail: priscila.lasantos@gmail.com / priscila.lopes.santos@alumni.usp.br
Sociedades Científicas: Investigadora Colaboradora no Instituto de Ciências da Terra, Pólo Universidade do Minho, Portugal (ICT).
Nota
GeoSmart:
Estudem, capacitem-se, empreendam suas carreiras ou seus negócios, mas sobretudo, valorizem suas competências.
Valorizando suas competências, cadidatem-se àquelas vagas a que têm interesse.
Neste momento Global, as disparidades sociais tendem a aumentar, portanto, mesmo que não cumprarm a 100% dos requisitos, submetam candidaturas, empreendam, pois se há algo que esta pandemia veio relembrar é que ninguém está 100% pronto, nem existe momento ideal. Temos sempre de estar dispostos a aprender e de nos reinventar !